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O anunciante e o User Generated Content – Parte 1

agosto 30, 2009

Logo quando a web 2.0 entrou no radar de anunciantes, agências, coolhunters, especialistas e afins como uma ferramenta do mix de comunicação, o User Generated Content imediatamente saltou aos olhos desse povo todo. A idéia, basicamente, é de que há pessoas falando da minha marca, promovendo e defendendo-a, e o melhor: de graça! Mas isso é o máximo! Só preciso de mais pessoas falando mais, e de uma rentabilizar isso.

Naturalmente, o ímpeto imediatista e o foco em curto prazo dos anunciantes rapidamente saturaram as mídias sociais, tanto em termos de canais de comunicação quanto de usuários. Algo que funciona muito bem como uma maneira de se relacionar com pessoas, aproximá-las e tê-las como influenciadoras, acabou se popularizando como uma metralhadora de concursos culturais do estilo: “Nos envie seu vídeo e peça para seus amigos irem votando. O vídeo mais votado (A) ganha um moderno aparelho celular ou (B) ganha uma geladeira de cerveja ou (C – minha favorita) será veiculado na TV como nosso próximo comercial.”

No entanto, o que ganha pouca atenção no meio é a quantidade de oportunidades que são perdidas. O último exemplo que me chamou atenção foi da IKEA – o que chega a ser uma surpresa, praticamente tudo o que a marca faz me agrada.

IKEA é uma marca de ótima imagem e aceitação no meio digital, e que sabe explorar muito bem esse meio. Recentemente, a marca lançou o IKEA Space Maker, projeto que, essencialmente, trata-se de um planejador de pequenos quartos. O usuário não somente pode montar seu quarto, mas também submeter à IKEA e, caso agrade a empresa, obter descontos em loja física. Bacana, não?

IKEA Space Maker

Talvez tivesse sido mais interessante, se o seguinte não tivesse acontecido: para concorrer na categoria Future Lions de Cannes, dois estudantes apresentaram o projeto My.IKEA, que utiliza da tecnologia de Realidade Aumentada (a própria menina dos olhos atual da publicidade) para que o prospect possa visualizar como ficariam os móveis em seu quarto, através da impressão do código gerado.

Muito embora tenha gerado buzz maior do que o próprio projeto da marca, o My.IKEA não ganhou grande atenção da empresa. E, convenhamos, seria de utilidade muito maior para o usuário. O que houve? Vista grossa, miopia, preguiça, budget apertado?

Fontes: Adivertido, Updaters

Manual de instrução do youtube.

março 12, 2009

Pegando o gancho 2.0 pero no mucho, vim falar mais um pouquinho sobre web. Todo mundo conhece e soa como besteira botar o youtube na roda. Mas não é. Eis que, enfim, foram encontradas algumas soluções para tornar o site vendável e rentável, sem precisar de banners ;D

Mostrá-las-ei.

1- O botão “click-to-buy” foi adicionado de uma forma bem discreta. É como se fosse uma camada sobreposta na parte inferior e, caso o usuário não se interessar, basta clicar no botão fecha que o “pop up” se recolhe.

2- É possível criar um Brand Channel, o que significa um micro universo dentro do próprio youtube. Assim, o usuário pode ver o vídeo, participar de alguma inscrição (inscrever-se em alguma promoção que vale uma casa, por exemplo), participar de votações, sem precisar migrar de site.

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3- Outra coisa interessante é a possibilidade de colocar Annotations. Ao adicionar links dentro dos próprios vídeos, pode ser criado um ambiente interativo, onde as pessoas podem escolher quais caminhos querem seguir.


4- As chamadas “out of the box experiences” são as mais famosas, até mesmo para os leigos. O melhor exemplo rodou como um bom buzz e muitos acharam até que se tratava de uma simulação. Vale frisar, então: sim, você pode fazer isso para o seu cliente.

click para abrir

5- Por trás das cortinas, a negada também não desapontou. Com a criação do Insight Portion, você pode gerar um gráfico e traçar dados, como a que horas o acesso ao seu vídeo diminuiu.

Essas novidades facilitam em muito a nossa vida de publicitário. Também não sejamos ingênuos ao achar que eles fazem isso de bom coração. Dentro do peito deles também bate um órgão capitalista. Ainda bem!

via: Fallontrendpoint

2.0 pero no mucho

março 11, 2009

Achei a nova campanha de Skol interessante, quando vi os primeiros filmes. Já tinha gostado dos primeiros, sobre xaveco e carnaval. Gostei ainda mais do novo, sobre futebol. O novo conceito, “redondo é rir da vida”, não só revitaliza a comunicação de Skol, mas traz novos caminhos para serem explorados com seu bordão de “cerveja que desce redondo”, que vinha perdendo fôlego nas últimas campanhas. A própria execução do conceito é muito boa, retratando de maneira humorada o consumidor médio de cerveja tal qual ele é.

Inclusive havia twittado que “A campanha nova de Skol tá redondinha, hein? No pun intended.” à época. Havia. Meu interesse foi água abaixo quando tive contato com a parte online da campanha, que dizia: redondo é rir da vida… com Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Para contextualizar, trata-se da divulgação de um concurso cultural em que os usuários devem enviar vídeos no formato de stand up sobre situações vividas, com uma pegada de “ainda vou rir disso”.

Sobre esse mérito, três considerações: primeiro, nada contra os dois humoristas, pelo contrário, até gosto de boa parte de suas piadas, um pouco mais das do Rafinha; segundo, a ação consegue unir duas idéias template de publicitário, que são stand up – de preferência com alguém do CQC – e concurso no formato “envie seu vídeo e ele pode se tornar um comercial”, que por sinal já cansaram – a mim e ao público; e terceiro, os vídeos ficaram ruins, muito ruins. Sério, bem ruins.

Quando achei que a ação terminaria aí, sendo apenas mais uma nesse mar de campanhas envolvendo mídias sociais e conteúdo criado por usuários, é que veio o elemento surpresa. Ronald Rios – um humorista, estudante, pseudo-VJ, modelo e atriz carioca, e que nas horas vagas apronta altas confusões com uma turminha da pesada que é assumidamente contra pró-bloggers e post pago – entendeu que a maior piada da campanha era seu próprio formato. A partir disso, produziu com sua fiel equipe uma paródia muito bem feita da campanha, com piadas sobre alcoolismo e um leve toque de humor negro, e divulgou para seu grupo de amigos, através de blog e Twitter. De cara seu vídeo já fez mais sucesso do que os originais.

A agência responsável pela campanha prontamente entrou em contato pedindo que o vídeo fosse retirado do ar, pois fazia uso indevido da marca Skol.  E foi instaurada a polêmica. Muitos criticaram a atitude do anunciante, condenando a censura. É aí que a discussão é válida: até que ponto o uso das mídias sociais tem sido transparente e a partir de que ponto se torna bullshit?

Já cansei de ver campanhas com resultados qualitativos maqueados. Comentários negativos são apagados, em uma homenagem ao Grande Irmão. Meia dúzia de comentários positivos são ressaltados e apresentados ao cliente. Engana-se o público, engana-se o anunciante, perpetua-se um formato já saturado e de originalidade nula.

Na teoria, a web 2.0 é linda. Praticamente uma panacéia. Permite expandir os pontos de contato com seu consumidor, dar voz a ele, envolvê-lo na comunicação, estreitar relacionamento consumidor-marca, e outros clichês que qualquer um no meio já decorou. Mas na prática o buraco é bem mais embaixo. Se vc vai dar voz ao público, pessoas irão xingar. Sobre a marca, sobre o produto, sobre a campanha, sobre o marketing, sobre sua mãe. E esse número é inversamente proporcional à qualidade do conteúdo apresentado. Portanto, mais uma vez insisto na palavra de ordem para qualquer campanha no meio digital: relevância.

Somente para completar, a assessoria de Skol até o momento está levando uma lição de RP do próprio Ronald Rios.