Posts Tagged ‘fantasma’

E a moral da história é

setembro 7, 2009

Excepcionalmente em virtude do DM9/11, interrompo minha fábula sobre o User Generated Content para oferecer algumas impressões sobre os acontecimentos. Mais ou menos como o Heman fazia ao final dos episódios:

O que um fantasma pode fazer pela sua marca? Aparentemente, uma saia curtíssima internacional, se você tiver sorte. Sempre fui crítico em relação a esse tipo de publicidade e ao nariz empinado de muito publicitário que se considera artista. Publicidade não é arte. Publicidade pode – também – ser arte, mas não como sinônimo.

Pessoalmente, não acredito em publicidade que não seja de resultado. Talvez por isso eu tenha uma postura de semi-indiferença a festivais. O reconhecimento é bom, e muitas vezes merecido, mas não vejo a razão para o deslumbramento. Prioridades são prioridades: agências são prestadoras de serviços.

Outro ponto que ficou escancarado é a falta de tato que o publicitário, em média, tem com relações públicas. O discurso é fácil de ter debaixo do braço, não tem segredo. Mas na prática, muitas vezes se esquecem de um pequeno detalhe: não basta responder, muito menos responder rápido, é preciso dizer a VERDADE.

Seja por inocência, seja por subestimar a mídia e o público, essa última parte é o mais recorrente dos erros de gerenciamento de crise. Não importa quão fundo esteja enterrada, uma hora a verdade virá a tona. Principalmente quando agência e cliente ficam batendo cabeça nesse “comigo não morreu”, o que deixa a situação somente mais deprimente.

Carta Sérgio Valente - Tecla SAP

Uma última questão  merece destaque. Gosto de enxergar jogadores de futebol como poetas incompreendidos de nossa sociedade. Um ditado comum entre eles é o seguinte: “Quando o time ganha, todos ganham. Mas quando o time perde, a responsabilidade também é de todos.” Então não me venha com esse papo de que é culpa de jovens profissionais que não fazem mais parte da equipe, porque isso não cola, ok?

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Análise: Vídeo da Microsoft para o Zune. Ou não.

maio 26, 2008

Na verdade, não. O vídeo é uma peça-fantasma feita por um sujeito chamado Stewart Hendler, diretor de comerciais para marcas como Adidas, BMW e Motorola, com trilha sonora da Human Worldwide, que fez a Happyness Factory e o Change, da Levis. O filme mostra um garoto ouvindo seu Zune, quando vê um passarinho morto e o ressucita com seu desfibrilador para pombos fone de ouvido.

A idéia é muito boa, mas quando assisti, fiquei pensando: Por que diabos eu não gostei tanto?

O conceito é forte: Music is life. Zune is music. Zune is life, Microsoft is life. (brincadeirinha!) Agora, a execução poderia ser mais tocante.

1) Começando pela trilha sonora, de propaganda de instituição contra o câncer, carros de alto nível, perfumes, produtos mais… como eu explico… sérios, que envolvam conceitos de envolvimento emocional diferente. O público-alvo do Zune é basicamente mesmo do iPod: pessoas ligadas com tecnologia, com sociedade, music-lovers, design-lovers, pessoas que seu pai chamaria de “descoladas”. Isso pede uma trilha mais o quê? “Descolada”, ou sagaz, como quiserem (como é difícil definir com palavras!)

Um bom exercício: dêem play no vídeo e fechem os olhos. Pensem como se não conhecessem a propaganda. Agora tentem adivinhar que produto é. Propaganda de quê? A última coisa que me vem na cabeça é de um Mp3 Player concorrente do iPod. Agora tirem o som do vídeo, assistam no mute e imaginem uma trilha mais animada, mais puxada para o rock, com pausa total na hora em que o menino desfibrila o pássaro, voltando quando entra o lettering. Como diz minha oftalmologista: melhora? Ou piora?

2) Depois vem a própria edição, com alguns quadros mais do nível “tocante” do que do nível “sagaz”. Por exemplo? Nos segundos 4 e 5, aparece o reflexo do moleque em um vidro quebrado. Não quero bancar o diretor não, aqui só banco o publicitário. Mas pare pra pensar: não é um quadro que distancia a peça da idéia de dinamismo inerente ao próprio produto e a alia ao conceito de introspecção?

Outro: aos 8 segundos, seria o ponto de vista de um inseto? acho que a estética aí poderia puxar mais para algo urbano do que para algo bucólico, grosseiramente falando.

Por fim, aos 15, o menino tira os fones do ouvido. Esse quadro, desfocando e estourando o fundo, lembra o ponto de vista do próprio passarinho morrendo.. Ou da alma dele. Passa a mesma idéia contrária que falei nos outros exemplos.

3) Assinatura. Quando você pensa que o filme acaba, aparece o nosso garoto, continuando sua jornada rumo a nowhere. Aqui vai uma opinião despretenciosa, muito mais ao estilo Losers Archive do que qualquer outra coisa: Se for pra pôr o menino lá de novo, não põe lettering em bg preto, deixa ele andando só e põe por cima, ali no cantinho. Faz mais sentido do que sair do tema, do clima, e empurrá-lo novamente por meio segundo.

Pra finalizar, só uma coisinha que eu lembrei, pra quem sabe alguma coisa de música: no começo, bem no começo, bem no começo MESMO do filme, o acorde inicial da música é diminuto. Acordes diminutos geram tensão, e uma PUTA tensão. Se conscientemente a gente saca isso, imagine inconsciente: quem não pega no ouvido, pega na sensação sonora. No mais, fora do âmbito publicitário do roteiro, excelente produção e linda fotografia, ainda mais se formos pensar que isso foi produzido em um dia apenas, com uma equipe de 7 pessoas.

Bom fim de feriado a todos e bom começo de semana árdua de trabalho duro!