Ford Fusion x Guaraná Antarctica.

agosto 11, 2009 by

E a batalha pelo troféu “oh, shit, man!” está cada vez mais acirrada. Não vamos nem entrar no ramo das empresas pequenas, vítimas de publicitários inescrupulosos e sem o mínimo de bom senso. Aqui a briga é de cachorro grande!

De um lado temos o Ford Fusion: um produto altamente foda, no qual nossos amigos de profissão conseguiram defecar em cima.  Temos a pergunta “Onde você pretende estar daqui a 5 anos?” e a assinatura do modelo passado (Quem dirige o novo Ford Fusion fez por merecer). Até aí tudo bem, conceito é conceito, posicionamento é posicionamento.

O que me deixa emputecido é o vt que rolou. Ele até é bonito, bem produzido e tudo, o problema é a ideia primária que o sustenta e a condução da narrativa (lenta, homogeneamente sem emoção). A sacada está na modelo passando o garotão pra trás: enquanto ele sonha em dirigir o Fusion e tê-la ao seu lado, ela sonha em tê-lo como motorista. Legal, né? Pois então, analisemos: se quem dirige o novo Ford Fusion é quem fez por merecer,  não é lógico um soldado dirigir um carro de general. O patrão fez por merecer e ELE deveria dirigir o carro, não o funcionário.  Melhor que isso, só pensar que ambos os personagens sonham em dirigir um carro de 2009 em 2015, afinal, é onde eles querem estar daqui a 5 anos. Viu como as peças não se encaixam?

Do outro lado do corner, temos o Guaraná Antarctica, ressuscitando as campanhas “guardadas a sete chaves”. Sério, pessoal, essa história já deu. Há melhores formas de mostrar a história da empresa, por que a marca tem um sabor exclusivo etc. Essa receita aí é manjada, não pega mais ninguém. E como estrutura zé bunda não suporta muito peso, duvido que uma ideia tão batida possa levar a frente uma série de vídeos, para que os usuários pesquisem por pistas e descubram a receita.  É muito esforço pra pouco resultado.

Já que eu criei esse troféu, nada mais justo do que eu mesmo ser o jurado. Ford Fusion perde. Motivo? O vt é tosco, mas o hotsite é bem interessante. Eles encontraram formas inusitadas de mostrar as funcionalidades do carro e ficou digno de FWA. Ver site

ps: Se eu fosse você, daria uma olhada no hotsite do Guaraná Antarctica. O engraçado é que eles criaram wallpapers, emoticons, ringtones e screensavers. Qual será a taxa de clicks de cada um deles?

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Brazil Promotion 2009

agosto 7, 2009 by

A gente demora mas não falha!

Como ainda estamos na terrinha da garoa, está difícil sobreviver com uma única internet 3G da Tim. A gente não conseguiu fazer upload das fotos, nem dos vídeos do evento, e creio que só faremos isso quando chegarmos em nossas casas, em Brasília.

Então, o que sobra pra falar do Brazil Promotion? Ultimamente tenho lido bastante sobre planejamento web e, neste exato ponto, o evento surpreendeu. Convidar blogueiros para fazer a cobertura significa criar diferentes pontos divulgadores. Cada blog possui o seu público fiel e os blogueiros envolvidos divulgaram e postaram os pontos de destaque da feira.  A questão não é criar web celebrities, e sim potencializar o buzz com baixa verba (A web é craque nisso!). Ao passo que os blogueiros contribuíram na divulgação, acredito que todos eles ficaram felizes, afinal, ter passe livre no maior evento de marketing promocional do Brasil não é pra qualquer um. Tivemos acesso às conferências, à feira e fizemos parte do júri que avaliava as melhores peças expostas.

Em vez de pagar os blogueiros, o caminho encontrado foi convidá-los a participar do evento, conhecer a sua essência. É claro que há o risco de dar um tiro no pé, já que é impossível controlar o caráter do conteúdo gerado. Mas, esse é um risco que toda marca corre ao entrar na web.

Abaixo, o espaço dedicado aos blogueiros.

Ps: Parabéns a Stella, da freeshop, pela bom trabalho e cordialidade.

Ps2: Abraço ao André do bemlegaus , a Renata do nyt-innovation e a Silvia do Tudibao.

Café com Coca na cobertura do Brazil Promotion.

julho 30, 2009 by

Ah, que emoção! Tanto tempo sem postar no Café que bateu até nostalgia…

Bom, sentimentos à parte, vamos direto ao assunto. Os 3 integrantes do Café com Coca foram convidados a cobrir o Brazil Promotion: a maior feira de marketing promocional do Brasil. Ela vai ocorrer dia 4,5 e 6 de agosto, em São Paulo.

Também fomos convidados a participar de um júri especializado (uia, a gente é especial!) que irá avaliar algumas ações. Na feira, serão apresentadas as principais inovações e lançamentos em produtos e serviços promocionais, brindes, para o merchandising no ponto-de-venda, digital signage, marketing digital, novas tecnologias, mídias interativas e todo o resto que daria linhas e mais linhas de texto.

Como notícia boa sempre pega de surpresa, é tudo o que podemos adiantar até o momento. Da terra da garoa, a gente cobrirá o evento, com direito a reclamações, tweets e muita coisa foda. (lembrando que cobrir não necessariamente implica em falar bem, puxar saco,  mas sim em falar a verdade) Fiquem ligados! Abs.

@fabricioide

@viniciusmoreira

@gstramon

Cafecomcoca concorrendo ao Future Lions 2009

maio 31, 2009 by
Desde 2005, A AKQA promove o Future Lions. É um concurso em que apenas estudantes podem participar e eles devem cumprir um determinado briefing (Se não estou enganado, é o mesmo briefing todo ano).  Os 5 vencedores ganham o direito de ir pro Festival de Cannes e tem acesso livre a todos os seminários, palestras etc.
Este ano, eu e o Vinicius Moreira resolvemos participar. O parto foi duro: perdemos o fim de semana passado inteiro. Não havia comida, somente energéticos.
O resultado de tudo isso você confere na apresentação abaixo. (Para melhor visualização, coloque em fullscreen).

Ps: Agradecimentos ao @haddads e ao Dashiell pelo apoio 😉

Storytelling da vida real.

maio 9, 2009 by

Lembro que uma vez eu estava no busão, que os brasilienses teimam em chamar de “baú”, e um garoto entregou um pedaço de papel com uma mensagem pobre, apelativa e cheia de erros de português. Resolvi mudar aquilo. Peguei caneta e papel, mas nada saiu. Aliás, nada mesmo, nem uma simples correção ortográfica. Pensei com meus botões: que belo criativo, que belo redator!

Alguns meses depois, tive que trocar de lavanderia. Visitei aquelas que ficavam próximas à minha choupana. A mais barata era também a mais escondida. Em cima do balcão estava uma resma de panfletos monocromáticos e mal diagramados. Passeei com os olhos enquanto ela pesava as roupas e reparei que o panfleto não informava o preço. O maior diferencial não estava lá.

Com um leve cagão de estar sendo enxerido, avisei que algumas pessoas do meu prédio estavam à procura de uma lavanderia. Menti. Ninguém havia comentado nada. Aconselhei a colocar o preço no verso do flyer e deixar no correio da negada do prédio. No mesmo dia eles deixaram. (A título de curiosidade somente, estava escrito “LAVA – R$10. LAVA E PASSA – R$ 20”).

Voltei semanas depois e a mulher abriu um sorriso do tamanho do meu saco de roupas sujas. Perguntei se o movimento havia melhorado. Ela disse que estava bem melhor e me agradeceu com toda a sinceridade que uma senhora de idade pode oferecer.

De todos os jobs mortos a cabeçadas, nenhum deles me fez sentir tão útil e satisfeito. O único problema é que eu entrei numa guerra diária. Agora eu quero aquela sensação todos os dias! 😉

@fabricioide Twitter vira assunto no #cafecomcoca

abril 21, 2009 by

Pensei em falar sobre campanhas online  integradas e até de VRM, mas resolvi apagar tudo. O assunto era bem relevante, eu que não tive as bolas e a capacidade de desenvolvê-lo de forma satisfatória. (Ma’ bad!)

Eis que vou falar sobre o Twitter. Essa semana,  Ashton Kutcher venceu a guerra contra a CNN pelo primeiro milhão de seguidores.

Até que é uma marca considerável para uma mídia vista antigamente como lugar de inutilidades. Kutcher sabe como se auto-promover. Ele twitta incessantemente e sobre tudo, de fotos da esposa quarentona a seus projetos profissionais. Não é de hoje que os meros mortais gostam de espiar  a vida das celebridades. E Kutcher sabe disso.

No Twitter você acha de tudo: job hunters, jornalistas, celebridades etc. Se é diversão que você quer, tem a @nairbello e até gente brincando de ser Deus. Independente de quem você siga, o fato é que o Twitter não pode ser mais ignorado. (Pergunte ao Facebook!)

A negada da Fallon sabia disso e logo criou o Skimmer. Em questão de semanas o programa explodiu e virou assunto até no mainstream. o Skimmer permite administrar diversas mídias sociais, tudo em uma interface simples. Desta forma, a Fallon prestou um serviço às  mídias sociais e, em troca, foi incluída nos assuntos mais comentados da web.

Como disse um famoso publicitário, o twitter é um facilitador para a criação de virais. Você segue quem é relevante e as pessoas que te seguem te acham relevante. O que você twita, seus seguidores verão e passarão adiante. Tudo muito bom, tudo muito legal, pena que é mais fácil dizer do que criar a tão famigerada relevância…

Pensar e linkar é só começar

abril 11, 2009 by

Esse companheiro aí do lado chama-se Vilfredo Pareto. Vilfredão, ou simplesmente Pareto, para os não-íntimos, foi um estudioso das sociedades e da economia. Morreu indagora, em 1923. Nasceu em 1848, bem no ano em que a França passava por uma revolução pseudo-proletária. Quem já estudou algo sobre a teoria da cauda longa e sua influência no consumo de conteúdo digital já leu algo sobre Pareto uma hora ou outra. Ele foi o cara que desenhou a tal Long Tail, em termos de gráficos: a curva de Pareto.

Tá, o negócio é que esse sociólogo uma vez escreveu um livro, o Mind and Society, onde falava algo muitíssimo interessante, que podemos associar livremente e com toda propriedade à prática criativa.

O cara classificou a sociedade em dois tipos de pessoas:

Os speculator

É quase o sentido da palavra “especulador” mesmo. Segundo Pareto, são as pessoas que se preocupam constantemente com as possibilidades de novas combinações, que estão sempre linkando coisas, buscando relações que as demais pessoas não atentam. Essas pessoas pensam dessa maneira justamente por estarem insatisfeitas com as condições que já existem. É um pensamento inovador, criativo e inventivo, adepto a constantes mudanças.

E o rentier

Esse outro perfil é mais ou menos o contrário do speculator. São pessoas “conservadoras”, satisfeitas, adeptas de uma rotina sem imaginação ou fortes mudanças.
Nós, que mexemos com comunicação, tendemos naturalmente a pertencer à classe dos speculators, não é mesmo? É ou não é? Tem certeza?

Não dá pra ter tanta certeza. Há uma série de percalços no dia-a-dia que fazem com que façamos muito menos relações entre as coisas. Quer alguns exemplos? Os prazos apertados, clientes conservadores, o próprio cotidiano da publicidade, o fato de passarmos mais tempo nos computadores e nas nossas baias e menos do lado de fora, convivendo com “pessoas normais”. Isso tudo faz muita gente ir perdendo aos poucos a criatividade, apelando pras soluções mais comuns e mais prováveis, que já tem relações feitas na nossa mente, ao invés de buscarmos novas relações e novas maneiras de comunicar.

Agora, tem gente que se previne desse pé-no-freio criativo das mais diversas formas. Eis aqui alguns exemplos bacanas:

What did you buy today?

Esse é o blog de uma consumidora compulsiva chamada Kate Bingaman-Burt. Ela é professora de Design Gráfico na Portland State University e já deu workshops sobre zines em várias universidades nos Estados Unidos. O que ela faz é ilustrar diariamente uma das coisas que ela compra. Cada dia é um desenho diferente, uma abordagem diferente, uma maneira de passar informação.

Indexed

Esse foi FODA de achar, porque eu não acompanhava os feeds. Mas é um ótimo exemplo também. Novamente escrito por uma mulher, Jessica Hagy, foi um dos TopBlogs da revista Times em 2008, Pick of the Day do Yahoo! e Best of Internet pelo The Guardian. O que a moça faz desde 2006, todos os dias, é relacionar coisas inimagináveis e desenhar gráficos à mão. Isso mesmo, gráficos, à mão, em folhas de caderno. Imagina você numa aula chata, com tempo livre, vai lá e fica viajando. Uma hora sai um link bacana entre uma coisa e outra, aparentemente desconectadas. Assim que ela começou. Genial.

New Math

Esse pode ser levado como destaque do post. Dica do @kenfujioka no Twitter. O projeto é dum cara chamado Craig Damrauer, escritor e artista de New York. O negócio dele é linkar coisas por meio de relações aritméticas. E é impressionante como várias relações fazem todo sentido! Toda segunda-feira ele atualiza o site com uma equação nova. Craig também escreveu um livro, o New Math – Equations for living.

Bom, acho que depois de todo esse texto, podemos ir para a moral do post.

MORAL DO POST: Reinvenção. Mais do que nunca hoje é tempo de se reinventar. Todos os dias, em todos os jobs. É tempo de fazer novas relações, pensar diferente, estabelecer um fluxo permanente de novas idéias. E acredito que não preciso dizer o porquê disso tudo né? Só olhar para o mundo à nossa volta.

P.S.: Espero ter injetado alguma dose de vontade nos leitores do Café com esse post. Depois de dois meses sem postar nada, devido a trâmites com a organização do Almanaque de Criação, estou voltando. Se tudo der certo, com uma freqüência mais significativa e constante. Desculpem o hiato!

Piada da Coca-Cola

março 21, 2009 by

Um amigo acabou de me mandar um e-mail com o seguinte assunto “Essa é pra rir! Promoção da Coca-Cola”. Confesso que li, simplesmente pelo fato de ser coca-cola. Se fosse qualquer outra marca, já o teria encaminhado à lixeira.

Reproduzi-lo-ei aqui, agora:

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Essa vale a pena ler!! MUITO BOAAAA!! E VIVA A COCA-COLA!!!

Um casal de namorados decide transar de uma forma bem natural, ao ar livre, um pic-nic.Pegam o fusquinha e vão a uma praia bem afastada.
Estacionam e prosseguem a pé. Finalmente chegam à praia linda e deserta.
Ele, amoroso, estende a toalha e, como ventava muito, decide colocar uma garrafa de Coca-Cola em cada ponta para que não voasse.. Se sentam e se beijam…. Fazem juras de amor.Depois do lanche, ele, cuidadoso, coloca a moça de quatro, venda os olhos dela, como planejado, mas, na hora H, esquece a camisinha.
Então diz: ‘Amor, esqueci a camisinha. Vou correndo buscar, me espere desse jeitinho. E sai correndo para buscar a camisinha. Depois que ele sai, passa pelo local um bêbado e vê a cena. Coça a cabeça e, mesmo sem acreditar no que via, decide ir lá conferir.
Não resistindo, o bêbado transa com a garota, que não pára de gemer.
Depois que tudo termina, satisfeito, o bêbado olha para as garrafas em volta da toalha e diz:”A COCA COLA É FODA… DUVIDO QUE A PEPSI FAÇA UMA PROMOÇÃO DESSAS!

—-

Com toda a razão, temos o costume de meter o pau em spams. Eles são inconvenientes e enchem a caixa de entrada com besteiras e viroses digitais. Porém, desta vez fiquei com a sensação de que os spams, na maioria das vezes, são apenas mal usados/pensados.

Imagine que eu, no auge dos meus 21 anos, tenho uma filha de 16. Ela se chama Raramatonela e passa o dia inteiro online, produzindo e recebendo conteúdo. Quando recebe notícias da colcci, manda pra todas as suas amiguinhas. Quando acessa o portal da globo (tadinha, ela ama de paixão o Max do BBB) e vê que a bovespa caiu, manda para papai e para todos os familiares, na esperança de que não façamos besteiras financeiras e deixemos de lhe dar seus preciosos presentinhos.

Assim, ela acaba de segmentar o público-alvo de suas mensagens. Mesmo dentro da cultura anti-spam, o fato é que as pessoas ainda se relacionam por esse meio, e o que faz a diferença se vai funcionar ou não, é o conteúdo que ele carrega.

Particularmente, eu gostaria que alguma marca forte ousasse trabalhar com e-mails. Já imaginou se uma marca como a Coca-Cola realmente criasse piadinhas e distribuísse via e-mail, mostrando que é melhor do que a Pepsi? Essa eu pago pra ver! ;D

Manual de instrução do youtube.

março 12, 2009 by

Pegando o gancho 2.0 pero no mucho, vim falar mais um pouquinho sobre web. Todo mundo conhece e soa como besteira botar o youtube na roda. Mas não é. Eis que, enfim, foram encontradas algumas soluções para tornar o site vendável e rentável, sem precisar de banners ;D

Mostrá-las-ei.

1- O botão “click-to-buy” foi adicionado de uma forma bem discreta. É como se fosse uma camada sobreposta na parte inferior e, caso o usuário não se interessar, basta clicar no botão fecha que o “pop up” se recolhe.

2- É possível criar um Brand Channel, o que significa um micro universo dentro do próprio youtube. Assim, o usuário pode ver o vídeo, participar de alguma inscrição (inscrever-se em alguma promoção que vale uma casa, por exemplo), participar de votações, sem precisar migrar de site.

foto

3- Outra coisa interessante é a possibilidade de colocar Annotations. Ao adicionar links dentro dos próprios vídeos, pode ser criado um ambiente interativo, onde as pessoas podem escolher quais caminhos querem seguir.


4- As chamadas “out of the box experiences” são as mais famosas, até mesmo para os leigos. O melhor exemplo rodou como um bom buzz e muitos acharam até que se tratava de uma simulação. Vale frisar, então: sim, você pode fazer isso para o seu cliente.

click para abrir

5- Por trás das cortinas, a negada também não desapontou. Com a criação do Insight Portion, você pode gerar um gráfico e traçar dados, como a que horas o acesso ao seu vídeo diminuiu.

Essas novidades facilitam em muito a nossa vida de publicitário. Também não sejamos ingênuos ao achar que eles fazem isso de bom coração. Dentro do peito deles também bate um órgão capitalista. Ainda bem!

via: Fallontrendpoint

2.0 pero no mucho

março 11, 2009 by

Achei a nova campanha de Skol interessante, quando vi os primeiros filmes. Já tinha gostado dos primeiros, sobre xaveco e carnaval. Gostei ainda mais do novo, sobre futebol. O novo conceito, “redondo é rir da vida”, não só revitaliza a comunicação de Skol, mas traz novos caminhos para serem explorados com seu bordão de “cerveja que desce redondo”, que vinha perdendo fôlego nas últimas campanhas. A própria execução do conceito é muito boa, retratando de maneira humorada o consumidor médio de cerveja tal qual ele é.

Inclusive havia twittado que “A campanha nova de Skol tá redondinha, hein? No pun intended.” à época. Havia. Meu interesse foi água abaixo quando tive contato com a parte online da campanha, que dizia: redondo é rir da vida… com Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Para contextualizar, trata-se da divulgação de um concurso cultural em que os usuários devem enviar vídeos no formato de stand up sobre situações vividas, com uma pegada de “ainda vou rir disso”.

Sobre esse mérito, três considerações: primeiro, nada contra os dois humoristas, pelo contrário, até gosto de boa parte de suas piadas, um pouco mais das do Rafinha; segundo, a ação consegue unir duas idéias template de publicitário, que são stand up – de preferência com alguém do CQC – e concurso no formato “envie seu vídeo e ele pode se tornar um comercial”, que por sinal já cansaram – a mim e ao público; e terceiro, os vídeos ficaram ruins, muito ruins. Sério, bem ruins.

Quando achei que a ação terminaria aí, sendo apenas mais uma nesse mar de campanhas envolvendo mídias sociais e conteúdo criado por usuários, é que veio o elemento surpresa. Ronald Rios – um humorista, estudante, pseudo-VJ, modelo e atriz carioca, e que nas horas vagas apronta altas confusões com uma turminha da pesada que é assumidamente contra pró-bloggers e post pago – entendeu que a maior piada da campanha era seu próprio formato. A partir disso, produziu com sua fiel equipe uma paródia muito bem feita da campanha, com piadas sobre alcoolismo e um leve toque de humor negro, e divulgou para seu grupo de amigos, através de blog e Twitter. De cara seu vídeo já fez mais sucesso do que os originais.

A agência responsável pela campanha prontamente entrou em contato pedindo que o vídeo fosse retirado do ar, pois fazia uso indevido da marca Skol.  E foi instaurada a polêmica. Muitos criticaram a atitude do anunciante, condenando a censura. É aí que a discussão é válida: até que ponto o uso das mídias sociais tem sido transparente e a partir de que ponto se torna bullshit?

Já cansei de ver campanhas com resultados qualitativos maqueados. Comentários negativos são apagados, em uma homenagem ao Grande Irmão. Meia dúzia de comentários positivos são ressaltados e apresentados ao cliente. Engana-se o público, engana-se o anunciante, perpetua-se um formato já saturado e de originalidade nula.

Na teoria, a web 2.0 é linda. Praticamente uma panacéia. Permite expandir os pontos de contato com seu consumidor, dar voz a ele, envolvê-lo na comunicação, estreitar relacionamento consumidor-marca, e outros clichês que qualquer um no meio já decorou. Mas na prática o buraco é bem mais embaixo. Se vc vai dar voz ao público, pessoas irão xingar. Sobre a marca, sobre o produto, sobre a campanha, sobre o marketing, sobre sua mãe. E esse número é inversamente proporcional à qualidade do conteúdo apresentado. Portanto, mais uma vez insisto na palavra de ordem para qualquer campanha no meio digital: relevância.

Somente para completar, a assessoria de Skol até o momento está levando uma lição de RP do próprio Ronald Rios.