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Sérgio Valente não dormirá por uma semana.

setembro 3, 2009

Como alguns principais veículos informativos da internet mundial já explicaram o caso WWF (aqui e aqui, por exemplo), vamos nos abster de pagar de mobral. O Café com Coca vem honrosamente expor uma de suas opiniões sobre essa desonra publicitária desmedida, displicente e cara-de-pau.

Fatos da vida: seu ego acha que vai ganhar o prêmio, mas a realidade te dá um pescotapa. Nenhum leãozinho sequer. Imagine a cena da reunião de criação: “De agora em diante, toda as terças-feiras pela manhã faremos um brainstorm pra Cannes. Começa na terça que vem. Quero idéias fodas, a gente VAI virar esse jogo”. E assim se sucedeu. Afinal, a DM9 tinha que fazer algo, antes que a DDB fizesse.

Os meses passam e as idéias pra Cannes vêm à tona. Funcionou: a DM9 teve motivos mil pra comemorar no festival de 2009. Mas ainda não basta, Cannes é pouco. Cannes é um sábado.

Ora pois, senão, vejamos: Tsunami pra WWF foi uma idéia que, segundo a DM9, jamais deveria ter sido criada e não tem o consentimento da agência e de sua diretoria. Os bastardos que a criaram já foram devidamentes despachados, juntamente com seus toys de mesa, para a parada de ônibus mais próxima da Brigadeiro Luís Antônio.

A DM9 e a WWF já se pronunciaram em seus sites. A DM9 diz que ele foi criado realmente, e aprovado. Aprovado por inexperiência do publicitário que aprovou (muitas vezes conhecido pela alcunha de Diretor de Criação da DDB Brasil) e do próprio cliente. Aliás, nesse mesmo texto (assinado também pela WWF) a DM9 deixa bem claro que a inexperiência foi de ambos os lados do balcão. E quando OS DOIS perceberam a caquinha, correram gritando “Abortem, abortem!”. O terceiro parágrafo mostra que a WWF foi também responsável pela primeira publicação desse anúncio.

Agora, faça um paralelo com o que a WWF falou em seu site americano. É o tipo de publicação institucional que você olha e pensa: capitão, isso vai dar merda. Unauthorized Ad Campaign? BULLSHIT. A DM9 enviou um email à Adweek falando que o bebezinho foi SIM aprovado pela WWF brasileira. Quer mais? No AdsOfTheWorld tem a ficha técnica da bagaça. Veja lá o nome do Advertiser`s Supervisor: Heloisa Helena de Oliveira, uma especialista gabaritada em preservação ambiental. Parece que alguém da WWF vai ter que abrir o caderno de Empregos da Folha de São Paulo. Isso sem falar na produção do anúncio impresso, na veiculação, na produção do VT e, é claro, na inscrição da peça nas premiações, afinal, isso custa uma dinherama bonita de se ver. É um investimento, né.

Como se não bastasse, segundo a Advertising Age, um porta-voz da DM9 anunciou que a agência não produziu o vídeo, e que quando a diretoria viu a pornografia, afirmara que nunca tinha visto o material antes e não sabe quem o criou. Aquele mesmo papo de adolescente quando é pego com drogas na mochila. Pior ainda é a versão, também publicada pela AdAge, de que a assessoria de imprensa da DM9 enviou acidentalmente a peça em um pacote de anúncios. Na boa, isso não cola nem na câmara dos deputados.

E no fim do dia, depois de uma repercussão destruidora em níveis globais, temos um big de um saldo negativo: contradições nos statements das duas empresas, gente no olho da rua, criativo sendo rechaçado, aprovadores sendo chamados de inexperientes (eu ainda acho que o problema aí não é bem inexperiência…), DM9 considerada a pior “pessoa” do mundo por Keith Olbermann em seu programa Countdown, na MSNBC, e Sérgio Valente sendo rogado a morrer de inanição. Tá quase um caso para o Dr. Cal Lightman.

A lição do dia é bem simples e não tem a ver diretamente com a idéia da campanha: seja sincero sempre e não minta. Isso vale pras agências e para os anunciantes.

Pensar e linkar é só começar

abril 11, 2009

Esse companheiro aí do lado chama-se Vilfredo Pareto. Vilfredão, ou simplesmente Pareto, para os não-íntimos, foi um estudioso das sociedades e da economia. Morreu indagora, em 1923. Nasceu em 1848, bem no ano em que a França passava por uma revolução pseudo-proletária. Quem já estudou algo sobre a teoria da cauda longa e sua influência no consumo de conteúdo digital já leu algo sobre Pareto uma hora ou outra. Ele foi o cara que desenhou a tal Long Tail, em termos de gráficos: a curva de Pareto.

Tá, o negócio é que esse sociólogo uma vez escreveu um livro, o Mind and Society, onde falava algo muitíssimo interessante, que podemos associar livremente e com toda propriedade à prática criativa.

O cara classificou a sociedade em dois tipos de pessoas:

Os speculator

É quase o sentido da palavra “especulador” mesmo. Segundo Pareto, são as pessoas que se preocupam constantemente com as possibilidades de novas combinações, que estão sempre linkando coisas, buscando relações que as demais pessoas não atentam. Essas pessoas pensam dessa maneira justamente por estarem insatisfeitas com as condições que já existem. É um pensamento inovador, criativo e inventivo, adepto a constantes mudanças.

E o rentier

Esse outro perfil é mais ou menos o contrário do speculator. São pessoas “conservadoras”, satisfeitas, adeptas de uma rotina sem imaginação ou fortes mudanças.
Nós, que mexemos com comunicação, tendemos naturalmente a pertencer à classe dos speculators, não é mesmo? É ou não é? Tem certeza?

Não dá pra ter tanta certeza. Há uma série de percalços no dia-a-dia que fazem com que façamos muito menos relações entre as coisas. Quer alguns exemplos? Os prazos apertados, clientes conservadores, o próprio cotidiano da publicidade, o fato de passarmos mais tempo nos computadores e nas nossas baias e menos do lado de fora, convivendo com “pessoas normais”. Isso tudo faz muita gente ir perdendo aos poucos a criatividade, apelando pras soluções mais comuns e mais prováveis, que já tem relações feitas na nossa mente, ao invés de buscarmos novas relações e novas maneiras de comunicar.

Agora, tem gente que se previne desse pé-no-freio criativo das mais diversas formas. Eis aqui alguns exemplos bacanas:

What did you buy today?

Esse é o blog de uma consumidora compulsiva chamada Kate Bingaman-Burt. Ela é professora de Design Gráfico na Portland State University e já deu workshops sobre zines em várias universidades nos Estados Unidos. O que ela faz é ilustrar diariamente uma das coisas que ela compra. Cada dia é um desenho diferente, uma abordagem diferente, uma maneira de passar informação.

Indexed

Esse foi FODA de achar, porque eu não acompanhava os feeds. Mas é um ótimo exemplo também. Novamente escrito por uma mulher, Jessica Hagy, foi um dos TopBlogs da revista Times em 2008, Pick of the Day do Yahoo! e Best of Internet pelo The Guardian. O que a moça faz desde 2006, todos os dias, é relacionar coisas inimagináveis e desenhar gráficos à mão. Isso mesmo, gráficos, à mão, em folhas de caderno. Imagina você numa aula chata, com tempo livre, vai lá e fica viajando. Uma hora sai um link bacana entre uma coisa e outra, aparentemente desconectadas. Assim que ela começou. Genial.

New Math

Esse pode ser levado como destaque do post. Dica do @kenfujioka no Twitter. O projeto é dum cara chamado Craig Damrauer, escritor e artista de New York. O negócio dele é linkar coisas por meio de relações aritméticas. E é impressionante como várias relações fazem todo sentido! Toda segunda-feira ele atualiza o site com uma equação nova. Craig também escreveu um livro, o New Math – Equations for living.

Bom, acho que depois de todo esse texto, podemos ir para a moral do post.

MORAL DO POST: Reinvenção. Mais do que nunca hoje é tempo de se reinventar. Todos os dias, em todos os jobs. É tempo de fazer novas relações, pensar diferente, estabelecer um fluxo permanente de novas idéias. E acredito que não preciso dizer o porquê disso tudo né? Só olhar para o mundo à nossa volta.

P.S.: Espero ter injetado alguma dose de vontade nos leitores do Café com esse post. Depois de dois meses sem postar nada, devido a trâmites com a organização do Almanaque de Criação, estou voltando. Se tudo der certo, com uma freqüência mais significativa e constante. Desculpem o hiato!

Fim da Famiglia

fevereiro 3, 2009

É isso mesmo. A agência de Átila Francucci chega ao fim após 3 anos de existência. Segundo os sócios, Átila, Fernando Nobre e Francisco Petros, a perspectiva financeira para esse ano é ruim e não os permite executar o trabalho como eles acham que deveria ser feito.

Átila Francucci foi palestrante do último Almanaque de Criação, em Abril de 2008, quando falou sobre alguns cases da Famiglia e sobre propaganda e criação.

Clique na imagem para ver no blog do Almanaque mais detalhes sobre a palestra

É mesmo uma grande pena. Triste.

Café com Coca deseja a todos os funcionários da Famiglia tudo de bão. Principalmente à telefonista que atendia “Famiglia, Bon Giorno!” =)

Veja mais detalhes no site da agência.

(Via Igor de Sá e ClubeOnline)

Tranformando widgets em compras

fevereiro 2, 2009

A empresa americana de marketing digital Razorfish é uma das mais conceituadas no mundo quando se fala de interatividade e social applications. Tanto é que eles têm profissionais dedicados a estudar os cases de seus clientes e elaborar estudos com base neles, chamados de whitepapers. Agora no fim de janeiro a Razorfish publicou um estudo sobre as relações entre o tempo que os usuários passam com widgets em redes sociais e as conversões (experiência convertida em compra online) que esse tempo gera.

A conclusão foi que o total gasto em compras pelos usuários que passam mais de 5 minutos com as social applications é estrondosamente maior que os que passam de 1 a 5 minutos. Sendo assim, surge a necessidade de garantir uma experiência significativa das pessoas com os widgets. mais-tempo-masi-grana1

Outra conclusão, além da básica que quanto mais tempo passado nas apps, maior a taxa de visitas únicas no site da marca, é uma comprovação muito interessante: se o widget é indicado por um amigo, a tendência à adesão é três vezes maior, aproximadamente. se-for-por-amigo-baixa-mais

Alguns sites noticiaram a pesquisa falando que essa probabilidade era de aproximadamente 4 vezes. Lendo e analisando com calma cheguei a duas conclusões: ou eu tô perdendo alguma coisa ou americanos em geral não sabem multiplicar. Só olhar o gráfico. Mas tudo bem, não tira o mérito da pesquisa.

Agora vem a questão:

Essas pesquisas servem como respaldo para perguntas como “Qual o ROI (Return on Investment) de uma campanha que utiliza mídias sociais?” . Tais resultados motivam as marcas a investirem mais nesse ambiente, pois servem como exemplo de que é possível gerar um retorno mensurável do ponto de vista financeiro quando se executam campanhas como essas.

Tá. E o Brasilzão? Lá fora já se aposta forte nas compras que começam em redes sociais. Aqui, é BEM difícil ver uma marca apostar em compras geradas dessa maneira.

Veja o estudo detalhado baixando o pdf Social Media Measurement: Widgets and Applications.

A saga dos 800 títulos

fevereiro 1, 2009

Once upon a time uma menina chamada Sally Hogshead nasceu. Seu pai era um cirurgião ortopédico. Sua irmã, grande atleta,  foi medalhista de ouro três vezes em olimpíadas. Seu irmão formou-se em Harvard. Sally tinha o título de mais engraçada da classe todos os anos. Só.

Daí ela formou, fez aqueles portifolio programs tipo Miami Ad School e caiu na vida. Na Wieden+Kennedy, com a ESPN e a Nike. Dois anos depois ela estava em New York trabalhando em uma campanha para a BMW Motorcycles, sendo dirigida por ninguém mais ninguém menos que Luke Sullivan.

Pra quem não conhece, Sullivan é uma espécie de papa da propaganda, visto que seu livro, Hey, Whipple, Squeeze This, é considerado por gente que nem Alex Bogusky como uma bíblia. E acreditem: Hey Whipple é ESSENCIAL pra todos que querem que seu filho tenha orgulho de falar “meu pai é publicitário”.

Voltando, uma parte da campanha eram os 8 anúncios impressos. Luke Sullivan tem uma máxima que é “Write 100 headlines for each 1 you actually need”. Sally levou essencialmente à risca o conselho de Sullivan e escreveu esses 800 títulos.

No fim do post onde ela conta essa história, ela reafirma uma coisa em que eu acredito piamente: moleza não combina com trabalho bem feito. Ninguém que é mole vai pra frente, eu tenho certeza absoluta disso. Sempre tive desprezo por gente mole. Só atrapalham.

Ela escreveu também um livro que eu não li, mas penso que deve valer muito a pena. Chama Radical Careering. Dá dicas para se construir uma carreira de sucesso, em qualquer área, não só redação publicitária. No post mesmo ela dá 3 dessas dicas.

Resumo da ópera: bonitão, se você escreveu 50 títulos, cada 10 sendo a mesma idéia reescrita, e tá cansadinho, vai escrever crônicas. E vendê-las por 50 cents no boteco da esquina, porque até vender produto cê tá longe.

14º Prêmio Internacional de Limpadores de Rua

janeiro 21, 2009

Por que, de repente, achar que a sua/minha/nossa profissão é digna de se auto-premiar com tamanha sagacidade, importância e grandeza? Eu mesmo acompanho Cannes como um rato, Anseio por cada atualização de júri que rola nos maiores prêmios da propaganda nacional e mundial. Alguns falam que prêmios são importantes pra carreira dos publicitários. Outros, falam que prêmio não é tudo. Alguns falam que não é nada. Afinal, qual é a real importância de abocanhar lápis, leões, olhinhos e demais pedaços de metal? Seriam apenas uma espécie de narcisismo e busca por glamour que só a nossa profissão tem?

Quem são os publicitários pra julgarem suas próprias campanhas? Esse é o ponto. Eles as pensam, planejam, arquitetam, produzem e aprovam para quem, senão os consumidores? As idéias são pensadas para quem, senão consumidores? Não seriam esses os melhores e mais importantes jurados? Não deveria ser o resultado das campanhas e a opinião do consumidor o maior medidor da qualidade e mérito da propaganda? Ou vai dizer que nós conhecemos melhor quem consome do que eles próprios?

Um parágrafo feito só com perguntas não vem à toa. Vem para tentar achar as respostas.

Pra completar, a visão da Australian Writers and Ard Director Association sobre os prêmios na propaganda.

Drawing Music Video

dezembro 31, 2008

Como terminei de assistir à todos os episódios de Big Bang Theory, aí vai um bom vídeo de ilustração ao som da música tema da série.

Bom fim de ano a todos.

Tecnologia Vintage

dezembro 9, 2008

Que tal relembrar o tempo em que você não jogava com CDs, mas sim com cartuchos?  Tirei do Vintage Computing and Gaming uma réplica do Nintendo NES que funciona como DVD, como mostra o vídeo do post.

Sensacional. No blog tem mais algumas idéias nerds vintage.

Enquanto o blog não volta com tudo…

dezembro 5, 2008

… e o semestre na UnB teima em não terminar, aí vão duas músicas de uma das melhores banda de hardcore de todos os tempos. O som tem a cara de sampa!

Com vocês, Dear Cinnamon Tea e Embedded Needs, do Garage Fuzz.

Referências de bom gosto

outubro 24, 2008

Nossa amiga ex-redatora publicitária e agora enveredada pelo caminho audiovisual Jackeline Salomão acaba de criar um blog, o Gooooood Taste, que fala sobre videoarte. Vale a pena ver as referências lá, coisa boa mesmo.