Análise: Vídeo da Microsoft para o Zune. Ou não.

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Na verdade, não. O vídeo é uma peça-fantasma feita por um sujeito chamado Stewart Hendler, diretor de comerciais para marcas como Adidas, BMW e Motorola, com trilha sonora da Human Worldwide, que fez a Happyness Factory e o Change, da Levis. O filme mostra um garoto ouvindo seu Zune, quando vê um passarinho morto e o ressucita com seu desfibrilador para pombos fone de ouvido.

A idéia é muito boa, mas quando assisti, fiquei pensando: Por que diabos eu não gostei tanto?

O conceito é forte: Music is life. Zune is music. Zune is life, Microsoft is life. (brincadeirinha!) Agora, a execução poderia ser mais tocante.

1) Começando pela trilha sonora, de propaganda de instituição contra o câncer, carros de alto nível, perfumes, produtos mais… como eu explico… sérios, que envolvam conceitos de envolvimento emocional diferente. O público-alvo do Zune é basicamente mesmo do iPod: pessoas ligadas com tecnologia, com sociedade, music-lovers, design-lovers, pessoas que seu pai chamaria de “descoladas”. Isso pede uma trilha mais o quê? “Descolada”, ou sagaz, como quiserem (como é difícil definir com palavras!)

Um bom exercício: dêem play no vídeo e fechem os olhos. Pensem como se não conhecessem a propaganda. Agora tentem adivinhar que produto é. Propaganda de quê? A última coisa que me vem na cabeça é de um Mp3 Player concorrente do iPod. Agora tirem o som do vídeo, assistam no mute e imaginem uma trilha mais animada, mais puxada para o rock, com pausa total na hora em que o menino desfibrila o pássaro, voltando quando entra o lettering. Como diz minha oftalmologista: melhora? Ou piora?

2) Depois vem a própria edição, com alguns quadros mais do nível “tocante” do que do nível “sagaz”. Por exemplo? Nos segundos 4 e 5, aparece o reflexo do moleque em um vidro quebrado. Não quero bancar o diretor não, aqui só banco o publicitário. Mas pare pra pensar: não é um quadro que distancia a peça da idéia de dinamismo inerente ao próprio produto e a alia ao conceito de introspecção?

Outro: aos 8 segundos, seria o ponto de vista de um inseto? acho que a estética aí poderia puxar mais para algo urbano do que para algo bucólico, grosseiramente falando.

Por fim, aos 15, o menino tira os fones do ouvido. Esse quadro, desfocando e estourando o fundo, lembra o ponto de vista do próprio passarinho morrendo.. Ou da alma dele. Passa a mesma idéia contrária que falei nos outros exemplos.

3) Assinatura. Quando você pensa que o filme acaba, aparece o nosso garoto, continuando sua jornada rumo a nowhere. Aqui vai uma opinião despretenciosa, muito mais ao estilo Losers Archive do que qualquer outra coisa: Se for pra pôr o menino lá de novo, não põe lettering em bg preto, deixa ele andando só e põe por cima, ali no cantinho. Faz mais sentido do que sair do tema, do clima, e empurrá-lo novamente por meio segundo.

Pra finalizar, só uma coisinha que eu lembrei, pra quem sabe alguma coisa de música: no começo, bem no começo, bem no começo MESMO do filme, o acorde inicial da música é diminuto. Acordes diminutos geram tensão, e uma PUTA tensão. Se conscientemente a gente saca isso, imagine inconsciente: quem não pega no ouvido, pega na sensação sonora. No mais, fora do âmbito publicitário do roteiro, excelente produção e linda fotografia, ainda mais se formos pensar que isso foi produzido em um dia apenas, com uma equipe de 7 pessoas.

Bom fim de feriado a todos e bom começo de semana árdua de trabalho duro!

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