Ps: Agradecimentos ao @haddads e ao Dashiell pelo apoio
Cafecomcoca concorrendo ao Future Lions 2009
Maio 31, 2009 by fabsStorytelling da vida real.
Maio 9, 2009 by fabsLembro que uma vez eu estava no busão, que os brasilienses teimam em chamar de “baú”, e um garoto entregou um pedaço de papel com uma mensagem pobre, apelativa e cheia de erros de português. Resolvi mudar aquilo. Peguei caneta e papel, mas nada saiu. Aliás, nada mesmo, nem uma simples correção ortográfica. Pensei com meus botões: que belo criativo, que belo redator!
Alguns meses depois, tive que trocar de lavanderia. Visitei aquelas que ficavam próximas à minha choupana. A mais barata era também a mais escondida. Em cima do balcão estava uma resma de panfletos monocromáticos e mal diagramados. Passeei com os olhos enquanto ela pesava as roupas e reparei que o panfleto não informava o preço. O maior diferencial não estava lá.
Com um leve cagão de estar sendo enxerido, avisei que algumas pessoas do meu prédio estavam à procura de uma lavanderia. Menti. Ninguém havia comentado nada. Aconselhei a colocar o preço no verso do flyer e deixar no correio da negada do prédio. No mesmo dia eles deixaram. (A título de curiosidade somente, estava escrito “LAVA – R$10. LAVA E PASSA – R$ 20”).
Voltei semanas depois e a mulher abriu um sorriso do tamanho do meu saco de roupas sujas. Perguntei se o movimento havia melhorado. Ela disse que estava bem melhor e me agradeceu com toda a sinceridade que uma senhora de idade pode oferecer.
De todos os jobs mortos a cabeçadas, nenhum deles me fez sentir tão útil e satisfeito. O único problema é que eu entrei numa guerra diária. Agora eu quero aquela sensação todos os dias!
![]()
@fabricioide Twitter vira assunto no #cafecomcoca
Abril 21, 2009 by fabsPensei em falar sobre campanhas online integradas e até de VRM, mas resolvi apagar tudo. O assunto era bem relevante, eu que não tive as bolas e a capacidade de desenvolvê-lo de forma satisfatória. (Ma’ bad!)
Eis que vou falar sobre o Twitter. Essa semana, Ashton Kutcher venceu a guerra contra a CNN pelo primeiro milhão de seguidores.
Até que é uma marca considerável para uma mídia vista antigamente como lugar de inutilidades. Kutcher sabe como se auto-promover. Ele twitta incessantemente e sobre tudo, de fotos da esposa quarentona a seus projetos profissionais. Não é de hoje que os meros mortais gostam de espiar a vida das celebridades. E Kutcher sabe disso.
No Twitter você acha de tudo: job hunters, jornalistas, celebridades etc. Se é diversão que você quer, tem a @nairbello e até gente brincando de ser Deus. Independente de quem você siga, o fato é que o Twitter não pode ser mais ignorado. (Pergunte ao Facebook!)
A negada da Fallon sabia disso e logo criou o Skimmer. Em questão de semanas o programa explodiu e virou assunto até no mainstream. o Skimmer permite administrar diversas mídias sociais, tudo em uma interface simples. Desta forma, a Fallon prestou um serviço às mídias sociais e, em troca, foi incluída nos assuntos mais comentados da web.
Como disse um famoso publicitário, o twitter é um facilitador para a criação de virais. Você segue quem é relevante e as pessoas que te seguem te acham relevante. O que você twita, seus seguidores verão e passarão adiante. Tudo muito bom, tudo muito legal, pena que é mais fácil dizer do que criar a tão famigerada relevância…
Pensar e linkar é só começar
Abril 11, 2009 by Vinuxo
Esse companheiro aí do lado chama-se Vilfredo Pareto. Vilfredão, ou simplesmente Pareto, para os não-íntimos, foi um estudioso das sociedades e da economia. Morreu indagora, em 1923. Nasceu em 1848, bem no ano em que a França passava por uma revolução pseudo-proletária. Quem já estudou algo sobre a teoria da cauda longa e sua influência no consumo de conteúdo digital já leu algo sobre Pareto uma hora ou outra. Ele foi o cara que desenhou a tal Long Tail, em termos de gráficos: a curva de Pareto.
Tá, o negócio é que esse sociólogo uma vez escreveu um livro, o Mind and Society, onde falava algo muitíssimo interessante, que podemos associar livremente e com toda propriedade à prática criativa.
O cara classificou a sociedade em dois tipos de pessoas:
Os speculator
É quase o sentido da palavra “especulador” mesmo. Segundo Pareto, são as pessoas que se preocupam constantemente com as possibilidades de novas combinações, que estão sempre linkando coisas, buscando relações que as demais pessoas não atentam. Essas pessoas pensam dessa maneira justamente por estarem insatisfeitas com as condições que já existem. É um pensamento inovador, criativo e inventivo, adepto a constantes mudanças.
E o rentier
Esse outro perfil é mais ou menos o contrário do speculator. São pessoas “conservadoras”, satisfeitas, adeptas de uma rotina sem imaginação ou fortes mudanças.
Nós, que mexemos com comunicação, tendemos naturalmente a pertencer à classe dos speculators, não é mesmo? É ou não é? Tem certeza?
Não dá pra ter tanta certeza. Há uma série de percalços no dia-a-dia que fazem com que façamos muito menos relações entre as coisas. Quer alguns exemplos? Os prazos apertados, clientes conservadores, o próprio cotidiano da publicidade, o fato de passarmos mais tempo nos computadores e nas nossas baias e menos do lado de fora, convivendo com “pessoas normais”. Isso tudo faz muita gente ir perdendo aos poucos a criatividade, apelando pras soluções mais comuns e mais prováveis, que já tem relações feitas na nossa mente, ao invés de buscarmos novas relações e novas maneiras de comunicar.
Agora, tem gente que se previne desse pé-no-freio criativo das mais diversas formas. Eis aqui alguns exemplos bacanas:
What did you buy today?
Esse é o blog de uma consumidora compulsiva chamada Kate Bingaman-Burt. Ela é professora de Design Gráfico na Portland State University e já deu workshops sobre zines em várias universidades nos Estados Unidos. O que ela faz é ilustrar diariamente uma das coisas que ela compra. Cada dia é um desenho diferente, uma abordagem diferente, uma maneira de passar informação.
Indexed
Esse foi FODA de achar, porque eu não acompanhava os feeds. Mas é um ótimo exemplo também. Novamente escrito por uma mulher, Jessica Hagy, foi um dos TopBlogs da revista Times em 2008, Pick of the Day do Yahoo! e Best of Internet pelo The Guardian. O que a moça faz desde 2006, todos os dias, é relacionar coisas inimagináveis e desenhar gráficos à mão. Isso mesmo, gráficos, à mão, em folhas de caderno. Imagina você numa aula chata, com tempo livre, vai lá e fica viajando. Uma hora sai um link bacana entre uma coisa e outra, aparentemente desconectadas. Assim que ela começou. Genial.

New Math
Esse pode ser levado como destaque do post. Dica do @kenfujioka no Twitter. O projeto é dum cara chamado Craig Damrauer, escritor e artista de New York. O negócio dele é linkar coisas por meio de relações aritméticas. E é impressionante como várias relações fazem todo sentido! Toda segunda-feira ele atualiza o site com uma equação nova. Craig também escreveu um livro, o New Math – Equations for living.
Bom, acho que depois de todo esse texto, podemos ir para a moral do post.
MORAL DO POST: Reinvenção. Mais do que nunca hoje é tempo de se reinventar. Todos os dias, em todos os jobs. É tempo de fazer novas relações, pensar diferente, estabelecer um fluxo permanente de novas idéias. E acredito que não preciso dizer o porquê disso tudo né? Só olhar para o mundo à nossa volta.
P.S.: Espero ter injetado alguma dose de vontade nos leitores do Café com esse post. Depois de dois meses sem postar nada, devido a trâmites com a organização do Almanaque de Criação, estou voltando. Se tudo der certo, com uma freqüência mais significativa e constante. Desculpem o hiato!
Manual de instrução do youtube.
Março 12, 2009 by fabs
Pegando o gancho 2.0 pero no mucho, vim falar mais um pouquinho sobre web. Todo mundo conhece e soa como besteira botar o youtube na roda. Mas não é. Eis que, enfim, foram encontradas algumas soluções para tornar o site vendável e rentável, sem precisar de banners ;D
Mostrá-las-ei.
1- O botão “click-to-buy” foi adicionado de uma forma bem discreta. É como se fosse uma camada sobreposta na parte inferior e, caso o usuário não se interessar, basta clicar no botão fecha que o “pop up” se recolhe.

2- É possível criar um Brand Channel, o que significa um micro universo dentro do próprio youtube. Assim, o usuário pode ver o vídeo, participar de alguma inscrição (inscrever-se em alguma promoção que vale uma casa, por exemplo), participar de votações, sem precisar migrar de site.
3- Outra coisa interessante é a possibilidade de colocar Annotations. Ao adicionar links dentro dos próprios vídeos, pode ser criado um ambiente interativo, onde as pessoas podem escolher quais caminhos querem seguir.
4- As chamadas “out of the box experiences” são as mais famosas, até mesmo para os leigos. O melhor exemplo rodou como um bom buzz e muitos acharam até que se tratava de uma simulação. Vale frisar, então: sim, você pode fazer isso para o seu cliente.
click para abrir
5- Por trás das cortinas, a negada também não desapontou. Com a criação do Insight Portion, você pode gerar um gráfico e traçar dados, como a que horas o acesso ao seu vídeo diminuiu.
Essas novidades facilitam em muito a nossa vida de publicitário. Também não sejamos ingênuos ao achar que eles fazem isso de bom coração. Dentro do peito deles também bate um órgão capitalista. Ainda bem!
via: Fallontrendpoint
2.0 pero no mucho
Março 11, 2009 by GustavoAchei a nova campanha de Skol interessante, quando vi os primeiros filmes. Já tinha gostado dos primeiros, sobre xaveco e carnaval. Gostei ainda mais do novo, sobre futebol. O novo conceito, “redondo é rir da vida”, não só revitaliza a comunicação de Skol, mas traz novos caminhos para serem explorados com seu bordão de “cerveja que desce redondo”, que vinha perdendo fôlego nas últimas campanhas. A própria execução do conceito é muito boa, retratando de maneira humorada o consumidor médio de cerveja tal qual ele é.
Inclusive havia twittado que “A campanha nova de Skol tá redondinha, hein? No pun intended.” à época. Havia. Meu interesse foi água abaixo quando tive contato com a parte online da campanha, que dizia: redondo é rir da vida… com Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Para contextualizar, trata-se da divulgação de um concurso cultural em que os usuários devem enviar vídeos no formato de stand up sobre situações vividas, com uma pegada de “ainda vou rir disso”.
Sobre esse mérito, três considerações: primeiro, nada contra os dois humoristas, pelo contrário, até gosto de boa parte de suas piadas, um pouco mais das do Rafinha; segundo, a ação consegue unir duas idéias template de publicitário, que são stand up – de preferência com alguém do CQC – e concurso no formato “envie seu vídeo e ele pode se tornar um comercial”, que por sinal já cansaram – a mim e ao público; e terceiro, os vídeos ficaram ruins, muito ruins. Sério, bem ruins.
Quando achei que a ação terminaria aí, sendo apenas mais uma nesse mar de campanhas envolvendo mídias sociais e conteúdo criado por usuários, é que veio o elemento surpresa. Ronald Rios – um humorista, estudante, pseudo-VJ, modelo e atriz carioca, e que nas horas vagas apronta altas confusões com uma turminha da pesada que é assumidamente contra pró-bloggers e post pago – entendeu que a maior piada da campanha era seu próprio formato. A partir disso, produziu com sua fiel equipe uma paródia muito bem feita da campanha, com piadas sobre alcoolismo e um leve toque de humor negro, e divulgou para seu grupo de amigos, através de blog e Twitter. De cara seu vídeo já fez mais sucesso do que os originais.
A agência responsável pela campanha prontamente entrou em contato pedindo que o vídeo fosse retirado do ar, pois fazia uso indevido da marca Skol. E foi instaurada a polêmica. Muitos criticaram a atitude do anunciante, condenando a censura. É aí que a discussão é válida: até que ponto o uso das mídias sociais tem sido transparente e a partir de que ponto se torna bullshit?
Já cansei de ver campanhas com resultados qualitativos maqueados. Comentários negativos são apagados, em uma homenagem ao Grande Irmão. Meia dúzia de comentários positivos são ressaltados e apresentados ao cliente. Engana-se o público, engana-se o anunciante, perpetua-se um formato já saturado e de originalidade nula.
Na teoria, a web 2.0 é linda. Praticamente uma panacéia. Permite expandir os pontos de contato com seu consumidor, dar voz a ele, envolvê-lo na comunicação, estreitar relacionamento consumidor-marca, e outros clichês que qualquer um no meio já decorou. Mas na prática o buraco é bem mais embaixo. Se vc vai dar voz ao público, pessoas irão xingar. Sobre a marca, sobre o produto, sobre a campanha, sobre o marketing, sobre sua mãe. E esse número é inversamente proporcional à qualidade do conteúdo apresentado. Portanto, mais uma vez insisto na palavra de ordem para qualquer campanha no meio digital: relevância.
Somente para completar, a assessoria de Skol até o momento está levando uma lição de RP do próprio Ronald Rios.
A evolução do carrinho de compra da Amazon.
Março 7, 2009 by fabsO post de hoje não é nada original, mas acredito que ele é válido e traz uma das mais inovadoras taglines da umbigosfera publicitária. A palavra-chave é Arquitetura de informação.
A Amazon foi uma das pioneiras no e-commerce e sua marca já é automaticamente relacionada ao ambiente web. Interessante perceber como ela ainda consegue se destacar frente às demais. Certamente, isso é resultado de uma busca minuciosa por melhorias, em que detalhe nenhum, como o próprio carrinho, é desprezado.
Há décadas atrás, o internauta da conexão discada tinha horror de compras online. Pudera, visto que a segurança era do tamanho de um iPod Shuffle. Assim, a grande preocupação era demonstrar segurança.

Depois veio o carrinho “Buy now with 1-click”. O objetivo era deixar explícito que se tratava realmente de um site de compras e como era fácil de executar a transação.

Alguns carrinho depois, já na época 2.0, apareceu o carrinho onde era possível calcular o frete da entrega. (Cá entre nós, este gadget foi uma mão na roda)
Por fim, temos o carrinho atual. O gadget do frete de entrega foi retirado (Damnit!), mas em compensação foram acrescentados outros botões e um menu, onde o usuário poderia escolher a quantidade de itens da compra. Sem contar que foram reduzidos os passos até a compra final.
A lição que fica é como a Amazon é criteriosa e testa diversas alternativas para melhorar não somente o aspecto visual de seu carrinho, mas também a sua usabilidade.
A diferença é perceptível: simule uma compra em sites como Americanas, Fnac, Saraiva e até a recém-chegada Casas Bahia. A comparação é inevitável para se entender como besteirinhas, como um carrinho de compras, fazem toda a diferença ;p
Ford Motor e as mídias sociais.
Março 4, 2009 by fabs
Já havia falado brevemente sobre o fato no @fabricioide, mas acredito que esse assunto ainda não rendeu o quanto deveria.
A Ford montadora de carros fez um trabalho muito interessante com uso de mídias sociais. Em resumo, eles criaram um perfil no Twitter para o CEO da empresa e o próprio se encarregava de responder aos seus seguidores. Simples, não?
Já imaginou poder reclamar direto ou tirar dúvidas direto com um presidente? Sem contar que dessa forma você foge dos call centers e suas atendentes anêmicas.
Outra coisa bacana citada foi a participação da publicidade nas mídias sociais. Scott Monty, head of social media da Ford, respondeu com uma das maiores verdades ainda não reconhecidas dessa área. Avisem o orkut para repensar sobre aquele box na barra lateral direita. ;p
O vídeo é rapidinho e vale os 5 minutos e meio.
Ponto G
Fevereiro 18, 2009 by GustavoNão abordarei nada muito recente, mas a análise é válida, principalmente como exercício de retroplanejamento.
A parceria PepsiCo e TBWA/Chiat/Day tem sido positiva para o mercado, uma vez que vemos trabalhos grandiosos de rebrand, sem medo de revigorar marcas tão bem estabelecidas como Pepsi e Gatorade. Já abordamos a campanha de Pepsi recentemente, dessa vez me aprofundo sobre o isotônico.
Gatorade é uma marca de enorme recall e líder no seu segmento, com grande ligação com a prática de esportes. Nesse sentido, a arena de esportes tem sido muito bem explorada pela marca há anos, especialmente nos EUA, onde Gatorade não apenas patrocina campeonatos de enorme audiência como NBA, NFL e MLB – tornando-se a bebida oficial desses esportes -, mas também marca presença em eventos de esportes radicais, como os X Games, por exemplo. Por um bom tempo a marca bateu na tecla do esporte, com uma abordagem racional voltada para a reposição de líquidos.


No entanto, após anos sem grandes mudanças, Gatorade busca revitalizar-se, com um plano de marketing agressivo. A marca passou por todo um trabalho de rebrand, apresentando nova identidade visual, novas embalagens e novo posicionamento – não quero entrar no mérito da discussão sobre até onde vale a pena um trabalho de rebrand quando o produto continua o mesmo. Seu novo conceito é o “what’s G”, em uma comunicação mais emocional. G seria, se não me falha a interpretação, a tradução do que aqui conhecemos como “raça” no esporte.
Mas a nova campanha da marca não termina aí. Gatorade observou uma ótima oportunidade em um novo perfil de consumidor, o jovem. A nova campanha da marca, então, vem com o objetivo de aproximar-se desse público e de seu cotidiano. Uma vez que falamos de um público multimídia, maior usuário da internet, grande consumidor de entretenimento, a estratégia adotada por Gatorade foi aumentar sua presença no meio digital.
A solução adotada foi a criação do portal de entretenimento Mission G, em um interessante trabalho de branded content desempenhado por Gatorade. Dentre o conteúdo fornecido pelo canal, destacam-se webséries que abordam temas pertinentes ao universo do público jovem, como hip hop, break, skate, moda e, claro, esportes. Também é possível o envio de conteúdo criado pelo usuário como parte da campanha “The quest for G”.

Não estou aqui para avaliar a qualidade do conteúdo criado pela marca ou os resultados obtidos, mas em termos de definição de problema de comunicação, objetivo, estratégia e solução adotada, o novo posicionamento de Gatorade já larga saindo do lugar comum.
Fontes: ADivertido, Brainstorm#9, Advertising Age.













